Alea Jacta Est
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31.10.01

My Father Eyes

Gosto de ver a alegria nos olhos do meu pai. Hoje é 31 de Outubro e é aniversário do meu velho. Mas é aniversário de morte do meu padrinho, Suquinha. Ficar na encruzilhada é brabo.


Ébrio

Escrever um post depois de 1 caixa de cerveja é brabo. Dá licença.


30.10.01

Domingo, eu vou ao Maracanã...

Não sei se são as bandeiras, as músicas de torcida, as camisas dos clubes ou beber a cerveja que entra clandestinamente, mas ir ao Maracanã é uma coisa que todo brasileiro devia fazer pelo menos uma vez na vida. Apesar do banheiro ser o que é, assistir um jogo na arquibancada do Mário Filho é uma das melhores emoções que um ser humano pode experimentar. Ir ao banheiro no intervalo do jogo é, com certeza, a pior.

Adentrar no estádio é com certeza a parte mais animada e é claro que após 10 cervejas tomadas em frente ao Belini deixam a entrada mais animadora. Subir a rampa cantando o hino do clube, xingar a PM após a revista, ir em direção da torcida do seu clube (ou no Setor Branco, que nada mais é que uma zona neutra), procurar um lugar com um bom ângulo e uma cadeira limpa e abrir uma cerveja. Tudo é emoção... e aumenta mais na hora do início da partida.

Os 10 primeiros minutos de jogo são, na minha opinião, a parte mais hilária de uma partida de futebol. Eu não sou entendido em futebol, mas adoro observar a expressão dos técnicos de arquibancada. Olhos fixos, mão no queixo, unhas sendo roídas. Tudo isso acompanhado de “o time tem que cair mais pela direita” ou “fulano tem que encostar mais no ataque” são as mais ouvidas em começo de jogo.

O intervalo entre o primeiro e o segundo tempo é a hora de esticar as canelas, comer aquele cachorro-quente com gosto de borracha limpa-tipos e beber a cerveja dos vendedores clandestinos. Aproveitar e ligar pro amigo que torce pro time rival prá tirar sarro ou fazer uma fezinha com seu buckmaker.

Começa o segundo tempo e com ele uma enxurrada de “o time perdeu o ritmo”, “só deu a gente no primeiro tempo” e “o time tem que cair pela esquerda agora”; isso sem falar nas alterações! “Quem mandou botar esse imbecil em campo?”, “minha avó joga mais que esse merda” e “quatro cabeças de área??? É um retranqueiro safado mesmo” tomam assento nas conversas. Geralmente nessa hora, o surdo (não é um rapaz com problemas auditivos, é um tambor enorme) começa a marcar mais forte e o hino do clube começa mais uma vez. Foguetes explodem, bandeiras se agitam e a gritaria prossegue. Até aí tudo bem. O brabo é que logo depois o pau come redondo e você tem que se esconder da PM e da própria torcida, até que os ânimos se acalmem.

Quando sai o gol é que a ordem vai toda pro vinagre. Aquela sua frescura de não falar alto, não cumprimentar gente que você não conhece e de não falar palavrão desaparece e você faz exatamente o contrário! Você berra a plenos pulmões, xinga a torcida adversária de todos os palavrões cabeludos que você conhece e até abraça aquele cara que tá com um odor agradabilíssimo nos sovacos (o famoso “desodorante Branca de Neve”: parece que tem um anão morto nas suas axilas).

Os últimos 10 minutos de jogo são a pior coisa do mundo, claro, depois do banheiro do Maracanã. Se o seu time está ganhando, você fica doido pro juiz soprar o maldito apito. Se está perdendo você torce por cada subida ao ataque resultar em gol, e ainda reclama que 8 minutos de acréscimo é muito pouco tempo. Se o empate está estampado no placar você grita até suas cordas vocais sangrarem que “tem que tomar cuidado com o contra-ataque” e que “cicrano tá soltinho na área”. A tensão aumenta mais ainda, o coração parece que vai saltar do seu peito e quando o juiz finalmente apita o fim da partida, é como se você tivesse 6 orgasmos múltiplos de uma vez só. Se o seu time ganhou, a cervejada come solta até o sol raiar e se o time perdeu você se entoca em casa até que saiam os resultados da próxima rodada do campeonato.

Você pode ser tricolor, flamenguista, botafoguense, vascaíno e o que mais tiver que ser, e pode até não suportar nenhum torcedor do time rival, mas com certeza os respeita por que tem ciência de que não importa a camisa: o que vale é xingar a mãe do juiz.


29.10.01

Blowing In The Wind

Se alguém me disser que Bob Dylan é apenas bom, eu taco pedra, dou porrada, xingo a mãe e rogo praga. O cara é bom demais da conta. Além de escrever All Along The Watchtower (embora melhor com o arranjo de Jimi Hendrix), Rock And Roll Star e Blowing In The Wind, o cara ainda consegue emocionar, mesmo cantando pelo nariz, quem ouve Mr. Tambourine Man.


Churrasquinho nas barcas

Tá bom, eu sou roqueiro, toco guitarra e tenho uma foto do Hendrix como fundo de tela. Mas ir de chinelo pro boteco, comer churrasquinho e ouvir samba é bom pacas.


Saudades

Tenho saudades dos abraços e beijos, de andar de mãos dadas e dos risos no fim da tarde. Sim, tenho saudades da sua pele junto da minha, dos teus dedos apressados sobre os botões da minha camisa; de sussurrar o quanto gosto de você, entre beijos e gemidos. De dançar juntinho, mesmo quando não tem música tocando.

Tenho saudades de deitar na grama e contar estrelas, de discutir contigo quem era melhor: Beatles ou Stones. Tenho saudades de te abraçar vendo aqueles filmes água-com-açúcar. Das brigas e de como a gente fazia as pazes. Tenho saudades de beber cerveja em copo de geléia como se fosse Möet & Chandon. Tenho saudades da tua risada na porta do cinema e tuas lágrimas no fim do filme; de sentir você roubando o cobertor de noite e de acordar com você do meu lado.

Tenho saudades da sua paranóia de estar engordando, das broncas por todas as vezes que fui ao banheiro de porta aberta; de gostar de alguém.

Concordo com Cazuza: love is pop e pop é brega. Mas eu quero um prá mim também.


Sete Cidades
(Renato Russo)

Já me acostumei com a tua voz.
Com teu rosto e teu olhar.
Me partiram em dois.
E procuro agora o que é minha metade.

Quando não estás aqui.
Sinto falta de mim mesmo.
E sinto falta do meu corpo junto ao teu.

Meu coração é tão tosco e tão pobre.
Não sabe ainda os caminhos do mundo.

Quando não estás aqui.
Tenho medo de mim mesmo.
E sinto falta do teu corpo junto ao meu.

Vem depressa prá mim que eu não sei esperar.
Já fizemos promessas demais.
E já me acostumei com a tua voz.
Quando estou contigo estou em paz.

Quando não estás aqui.
Meu espirito se perde, voa longe.
Longe, longe.


26.10.01

Você nunca tem em mãos...

...Um chopp quando está tocando "Samba do Avião" no rádio;
...Um cigarro quando você acabou de fazer aquela refeição hiperpesada e está doido prá dar sua baforada pós-rango;
...Uma carteira de alta patente militar quando um PM vem com aquele papo de "uma cervejinha";
...Um revólver carregado quando cê tá num ônibus parado num engarrafamento e alguém começa a pregar a Palavra do Senhor;
...R$20,00 prá completar o valor daquele CD maravilhoso do Wes Montgomery que você procura tem um tempão;
...Uma pedra prá tacar no vidro do carro daqueles manés que saem de casa ouvindo funk no volume máximo e acham que é obrigado a ouvir também;
...Um preservativo quando aquela mulher maravilhosa que você levou pro motel diz "pronto prá outra?";
...Um gravador quando você percebe que a mesa ao lado da sua é composta de Deputados e que eles estão conversando sobre mamatas da política;
...Uma fita de vídeo quando você liga a TV e percebe que vai passar A Encruzilhada em 3 minutos e você tem que sair;
...Uma filmadora prá confirmar aquilo que você contou aos seus amigos sobre aquelas duas modelos maravilhosas;
...Uma boa desculpa prá sair de casa quando aquele cara mala toca o seu interfone;
...O pescoço de quem escreve um post imbecil como esse.


24.10.01

Vende-se

Vende-se Lada 92/93. Aceito pacote de biscoito Água & Sal. Volto diferença.


Cadê?

Cadê você quando está tudo escuro?
Cadê você quando estou em cima do muro,
e tenho medo de cair?
quando tenho medo de você sumir?

Cadê você quando eu quebro promessas?
Quando eu não encaixo peças
do nosso quebra-cabeças?
Cadê tuas mini-tristezas?

Cadê teu cálice de vinho?
Cadê o mapa do meu caminho?
Cadê teu grito em Si Bemol?
Por que não me impedes quando ouço o The Wall?

Cadê teu prato fundo e tua tigela rasa?
Onde você está quando eu quero quebrar a casa?
Será que estou te amando?
É amor em meu peito ou estou infartando?

Cadê teu riso de menina?
Cadê teu álcool e cocaína
Cadê teu beijo?
Teu desejo?

Cadê?


23.10.01

Bingoooooooooo

Tem gente que diz que eu tenho problemas com bebida e jogo. Pois eu aposto 5 caixas de cerveja, com qual quer um, que não tenho vício nenhum!


21.10.01

Dúvida cruel

O que é maior? A fome na Somália ou a marra do Marcos Mion? Essa é braba...


Culpa prá dois, please

Não são só elas. Alguns de nós homens dificultam muito a coisa. O que eu tenho visto de cara sem o menor bom senso na hora do approach não está no gibi! Ontem eu vi um mané se aproximar de uma moça e dizer “Te lambia todinha”. E ainda perguntou o porquê dela não dar bola prá ele. Prá mim, ele queria um picolé.

A grande maioria dos homens perdeu o estilo. Exemplo: Saem dois rapazes e duas meninas. Como proceder? Pensar em um lugar com garçons educados, iluminação baixa e principalmente um som ambiente, para que todos possam conversar... mas não. Os manés marcam com as moças no forró do Malagueta. Fala séééééério.

As expressões então... um pitéu. Termos como “rabância” são a cara do século XXI. Eu votei prá que a frase “olha a rabância daquela mina” entre pro rol de frases imortais como “et tu Brutus” de César, “give peace a chance” de Lennon e “que porra é essa que eu tô bebendo?” de Marcello Alencar.


20.10.01

Um protesto feio

Uma menina me falou: “tá faltando homem no mundo!”. Eu retruquei na mesma hora: “Tá errado. Num falta nada. Vocês é que são seletivas”. E é a grande verdade. Não falta homem pras moças, elas é que só querem os “Classe A”. Têm que ficar na secura mesmo!

Ser feio também é ser gente. Faça uma caridade: fique com uma pessoa feia (aliás, se alguma modelo estiver lendo esse post, me mande um mail). Pena que ninguém faz caridade hoje em dia.

Tem vezes que eu acho que foi mau negócio aquela transação da costela. Hehehe.


18.10.01

Enquanto isso, no Usbequistão...

Um famoso repórter de televisão estava em Usbequistão, no meio de uma grande reportagem que falava sobre os costumes do local. De repente ele se deparou com um velhinho e logo começou a entrevistá-lo:
- O senhor poderia me contar um fato de sua vida que jamais tenha se esquecido?
O velho homem sorri e começa a contar a história:
- Um dia, há muito tempo atrás, minha cabra se perdeu na montanha. Como manda a nossa tradição, todos os homens da cidade se reuniram para beber e sair à procura da cabra. Quando finalmente a encontramos, já de madrugada, bebemos mais uma dose e, como de costume, todos transaram com a cabra, um por um. Foi uma cena inesquecível...
O jornalista se assusta com a história e diz, todo sem jeito:
- Meu senhor, sinto em lhe dizer que a emissora dificilmente levará ao ar essa declaração, então eu sugiro que o senhor conte uma outra história... Quem sabe se o senhor nos contasse uma história bem feliz...
O velho sorriu e disse:
- Ok, também já vivi uma história muito feliz aqui...
Então o repórter sorri aliviado e o velho homem começa a contar a história:
- Um dia, a mulher do meu vizinho se perdeu na montanha. Como manda a nossa tradição, todos os homens da cidade se reuniram para beber e sair à procura da mulher. Quando finalmente a encontramos, bebemos mais uma dose e, como de costume, todos os homens da cidade transaram com a boazuda. Foi a maior diversão da minha vida!
O jornalista ficou decepcionado mas não desistiu e sugeriu ao velho homem:
- Ok, vamos tentar mais uma vez: Será que o senhor não poderia nos contar uma história muito, muito triste?
Então o velho homem baixou a cabeça e, com os olhos cheios de lágrimas, começou:
- Um dia, eu me perdi na montanha...


17.10.01

Ruborizado por um beijo

Não entendo como uma coisa tão simples
Um gesto tão bobo, tão singelo como um beijo
Mexe tanto com a gente por dentro
Faz a gente se sentir tão leve
Tão satisfeito e incompleto, ao mesmo tempo
É prá sentir-se ridículo com o ruborizar de um rosto
Com um sorriso no canto da boca
E do turbilhão de coisas que nos vêm à mente
Causado pelo toque de um rosto, o calor de um olhar
Um unir de lábios e a sensação de bem-estar
E o gosto doce de outra saliva em nossa boca
De outro calor em nosso corpo
De outro sentimento em nossos peitos
De outra coloração em nossos rostos
Ruborizados por um beijo.


Bola 5 na caçapa do canto

Seis caçapas e algumas bolas coloridas. Um jogo de sinuca é mais do que isso; aliás, prá alguns é mais do que um jogo: é um estilo de vida. Prá mim é uma terapia. Chegar no salão com 2 ou 3 amigos, escolher um taco e ver se ele está ou não empenado, pedir uma rodada de cerveja. Se der bobeira passo a madrugada!

Pode-se notar como é a personalidade de cada um pelo jeito de jogar sinuca. Por exemplo: um cara que segura o taco com firmeza e dá a tacada com muita força geralmente é uma pessoa com temperamento explosivo. Já aquele que procura 8 tabelas diferentes e dosa a força é uma pessoa extremamente detalhista. Um cara que toma uma porrada de cervejas e desafia metade do bar prá jogar com ele é simplesmente louco.

Até jogar com desafiantes de última hora vale. Mas cuidado com aqueles que perdem e depois querem apostar. Cansei de ver esses lobos em pele de cordeiro. Um amigo meu jogou com um rapaz apostando 1 cerveja por rodada. Ganhou 4 rodadas até que o cara sugeriu aumentar a aposta prá 6 cervejas por rodada. Resultado: o cara jogava pacas e saiu de lá com 2 engradados grátis. E coitado de quem reclamar depois. Apostou, paga.

Tem gente que pensa que isso é coisa de filme, mas não é não. Uma vez conheci um senhor que devia ter uns 50 anos. Não tinha mais de 1,60m. O cara desafiou todo mundo no bar, dizendo que pagava uma cerveja prá quem o derrotasse. E dizia que jogava até com um braço só. Bem... cinco “manés” (inclusive eu) jogamos com o senhor. Ninguém ganhava dele. E com um braço só. Acredite se quiser.

Cuidado quando for jogar sinuca. Os apostadores inescrupulosos podem estar te observando. Aliás... topas uma partidinha? ;o)


Frases que abalaram o mundo

- "Encontre-me no estacionamento; se eu estiver lá, é porque eu fui".
- "Eu queria um cheeseburguer, mas tira o queijo, por favor".
- "É igualzinho, só que diferente".
- "Quem dá aos pobres paga o motel".
- "Não como língua bovina. É nojento comer algo que sai da boca do animal, concorda? (...) Garçon, dois ovos cozidos, por favor!"


14.10.01

Naftalina

Seria engraçado se não fosse trágico
E talvez fosse indiferente, se lágrimas não cismassem em brotar
Eu não devia me espantar: essa história eu já sei
Toda vez que as portas do Paraíso se abrem
O Inferno me chama de volta
Prende-me, acorrenta-me, ata-me
Faz com que eu veja
Ou melhor, faz com que eu tente aceitar
Que a alegria é efêmera
É naftalina e nada mais
Não vou mais quebrar espelhos
Não vou mais bater a porta
Não vou mais me trancar no quarto
Não vou mais me esconder atrás de um sorriso
Não vou mais abrir a garrafa
Não vou mais escalar a montanha
Não vou mais chorar no escuro
Não vou mais ouvir o The Wall
Ninguém chuta cachorro morto
Vou apenas deitar no chão
E deixar a chuva cair
E depois jogar no bueiro
As chaves do meu coração.


O amor omniversal

Surgirá um dia
Seja numa noite quente ou numa manhã fria
O amor omniversal
E dominará qualquer mortal

Surgirá um dia
E cessará toda agonia
O amor omniversal
E nos livrará de qualquer mal

Surgirá do nada
Mas com a força de uma armada
O amor omniversal
Nossa chance contra a destruição global

Surgirá do nada
Mais afiado que uma espada
O amor omniversal
Quando o sentimento vence o racional

Surgirá, como uma explosão
Causando sensação
O amor omniversal
Um espetáculo colossal

Surgirá, como uma explosão
E tomará todo coração
O amor omniversal
Que qualquer igreja não vende por menos de 1 real.


Deus

Enfim posso contar uma história para os meus netos que não contenha sexo, bebedeira ou destruição de propriedade pública. Os pimpolhos que, espero um dia poder colocar no meu colo e contar histórias, iriam ficar orgulhosos de seu avô. Ou apenas esperar que o cilindro de oxigênio chegue ao final para afanar minha carteira. Mas isso é um outro lance.

Eu vi Deus. Não, eu não tive um orgasmo múltiplo, até porque homens não os têm e se eu tivesse seria duplamente abençoado, pois já tenho HBO. Eu vi Eric Clapton. E ouvi também. Tá certo que eu desembolsei uma boa quantia, fiquei me acotovelando na platéia e em alguns momentos me senti no meio de uma plantação de cannabis. Mas valeu a pena. Valeu a pena andar que nem um corno até chegar até o local do show e prá sair do mesmo local. Valeu a pena pagar R$3,00 numa cerveja (pelo menos desceu redondo. Quem foi ao Rock In Rio sabe a diferença). Só não valeu a pena o fato de telefone celular não funcionar lá dentro da Apoteose e eu conseguir ligar prá uma menina legal que eu queria ver depois do show.

Mais que uma aula de blues e rock: uma aula de feeling. Cada nota da Stratocaster era como uma palavra e as frases formadas por essas palavras contavam uma história que, de tão envolvente, é impossível explicar. A suavidade da voz em Tears In Heaven dava a impressão de que ele não cantava prá platéia. Cantava para o Connor.

Pena que é a última vez. Bem... pelo menos deuses são imortais.


13.10.01

Censura

Sem comentários.


10.10.01

Reuniões, atas e outras malas-sem-alça

Todo mundo, pelo menos uma vez na vida vai ter que participar de uma reunião. Seja no trabalho, com gráficos, mapas, slides e palavras que você nem imagina o que sejam; no condomínio onde você mora, enfim: qualquer lugar, mas que você vai participar de uma um dia, você vai. É impossível fugir! Você pode até se mudar prá periferia de Timólei-Mólei e sentar-se confortavelmente na sua cadeira de vime, acariciando seu cachorro Marmaduque. Uma hora chega a maldita da convocação prá reunião.

Estava eu em casa, relaxado no sofá e dedilhando o violão... eis que a ameaça entrava por baixo da minha porta quando eu não estava vendo, antes que eu pudesse chutá-la para fora da minha vida. Um lance interessante: sempre que você recebe uma convocação e de imediato diz a si mesmo que não vai comparecer nem que a vaca tussa, a porra do bovino se engasga.

Lá fui eu. Cheguei 30 minutos antes de começar a bendita reunião. E a reunião começou com 30 minutos de atraso. Anotem isso: o começo da reunião é sempre igual ao tempo que você chegou mais cedo. Entrei, cumprimentei o pessoal da mesa e sentei-me em meu lugar.

Não é interessante o fato de quando estamos num ambiente fechado com uma pessoa falando um monte de baboseiras, os ponteiros do relógio parecem andar 3 minutos prá trás prá cada um que avançam? E que toda vez que o presidente fala que é o último ponto da reunião, alguém levanta e faz um discurso de 3 horas, obrigando você a ficar mais tempo na reunião?

Foram quatro horas, trinta minutos e dezoito segundos. O tempo exato do suplício. Vocês, que já têm a infelicidade de ler o que eu escrevo, evitem passar por isso. No trabalho, peçam para que o chefe mande tudo por memorandos e que as votações sejam virtuais; nos clubes e associações, digam que estão entupidos de trabalho até as tampas; no prédio diga ao síndico que vai viajar. Em casa? Atire no carteiro!


Dá-lhe, Waters

Algumas letras, por mais antigas que as músicas sejam, permanecem atuais. Roger Waters escreveu esta letra falando sobre a Segunda Guerra Mundial. Será que tem alguma coisa a ver com os dias modernos?

Goodbye Blue Sky
"Look mummy, there's an aeroplane up in the sky"


Did you see the frightened ones?
Did you hear the falling bombs?
Did you ever wonder why we had to run for shelter when the
promise of a brave new world unfurled beneath a clear blue sky?


Did you see the frightened ones?
Did you hear the falling bombs?
The flames are all gone, but the pain lingers on.


Goodbye, blue sky
Goodbye, blue sky.
Goodbye.
Goodbye.
Goodbye.



9.10.01

Coisas do apagão

E eu que pensei ter visto de tudo... espante-se clicando aqui, mas cuidado: mantenha o volume baixo.


8.10.01

Dá-lhe, Lennon

Mesmo quem não gosta de Beatles tem que dar razão ao saudoso John Lennon. "All we are saying is give peace a chance". É impressionante como o tempo passa e algumas coisas permanecem iguais. Não é querer ressussitar o espírito hippie, mas faça amor, não faça a guerra!

Paz e amor, bicho.


6.10.01

Olha o superjabá aí, gente!

Você gosta de música? Basta clicar aqui para ouvir o som da Tsunami. Confira!


Olha o jabá aí gente!

Quem tá me lendo e chegou à conclusão de que precisa ler coisa melhor, dá um pulo no blog da Leonora. Cês vão que é escrever num é essa josta que eu faço!


As Grandes Inverdades do Universo

1. Todo mundo bebe Schincariol

Essa é a mais recente das Grandes Inverdades do Universo. Não é todo mundo que bebe Schincariol, pois se assim fosse, todo mundo comeria fígado cru. O Rock In Rio 3 foi por um mundo melhor. O Rock In Rio 4 deve ser por uma cerveja melhor.

2. “Eu só boto a cabecinha”

Essa é mais velha que andar prá frente. Desde que o mundo é mundo o homem engana a mulher com essa. É impossível colocar só a cabecinha, sabendo-se que o pênis não tem ombros.

3. “Só dói no começo. Depois fica gostoso”

Essa foi criada na era pré-vaselina, derivada da mentira anterior e assim como a mesma, muito utilizada até hoje (a frase, se bem que a vaselina também).

4. “Vou ali tomar uma cerveja”

Clássica. Uma cerveja é modo de falar, pois sempre significa um engradado inteiro ou um pouco mais da metade. O tira-gosto é opcional.

5. “Papai vai comprar cigarros e já volta”

Essa não precisava de explicação, mas vamos lá: é quase tão velha quanto “eu só boto a cabecinha”. Quando papai diz que vai comprar cigarros, ele vai se encontrar com alguma moça de reputação duvidosa e volta sem cigarros, metade do salário e cuecas. Se papai vai comprar cigarros com a mamãe, pode ter certeza: você vai morar com sua madrinha pelos próximos 15 anos.


5.10.01

Pet Shop Blues

Diversão e alegria, mas com um bom quinhão de responsabilidade. Animais de estimação são a solução da vida solitária: companheiros, brincalhões e em 70% dos casos fieis. A solução ideal prá quem não tem filhos ou grana prá custear uma scort girl.

Gatos são independentes, cães brincalhões e peixes dourados coisa de quem tem QI beirando 70. Os répteis estão na moda. Hoje em dia todo mundo quer iguanas. Bem, quase todo mundo, porque se eu quisesse um bicho feio e enrugado daqueles dentro de casa eu chamava a Dercy Gonçalves prá rachar comigo o aluguel.

Mas toda alegria e diversão têm seu preço. Desde o singelo cocô no seu tapete branco ao barulho superdiscreto da sua gata persa cruzando embaixo da Belina do seu tio-avô. Ração importada (quando o bicho não cisma de comer outra coisa), brinquedos que fazem ruídos irritantes, até crueldades requintadas. Sim, animais são cruéis quando querem ser. Eu tenho um poker (poodle cruzado com cocker spaniel) que é o cão, literalmente. Não pode ver uma meia ou cueca: revira sapatos, caixa de roupa suja, enfim, pinta os canecos. Lembro-me de um Natal em que estava eu sentado vendo TV e minha mãe na cozinha preparando um chester. E lá vem o cão (cujo nome omiti propositalmente para evitar retaliações posteriores), abanando o rabo com a bolinha azul dele, vindo em minha direção. Como todo homem que vê TV bebendo, força nenhuma da natureza ia me fazer levantar do sofá prá jogar bola com o cão. E lá foi ele tentar a minha mãe, que ocupada temperando o chester não deu bola pro cão e sua bolinha. O que ele fez? Esperou a véia dar uma bobeira na cozinha e PIMBA! Deu um bote na pobre ave e correu prá baixo da cama. Corre daqui, corre de lá e tá ele embaixo da cama, mastigando o chester amarradão... cerca de um lado, cerca do outro e nada de pegar a porra do cachorro. Vamos para a ignorância: levanta-se a cama. E lá está ele com aquela cara de “bem-feito, quem mandou não jogar bola comigo?”.

Os casos são inúmeros. Um vizinho meu tinha um gato que afiava as garras nas calças jeans dele, outro tinha um cachorro que enfeitava a casa com papel higiênico e o jaboti da minha avó que não pode ver um dedão que mete a boca.

Se depois de tudo que você leu ainda quer um bichinho, compre um peixe. As pessoas vão duvidar do seu QI, mas o bicho é silencioso, não solta pêlo, não pega o chester, não morde dedão nem monta na sua perna. E ninguém vai te chamar de zoófilo se você comer seu peixe.


Aliste-se

Jovem: se você tem 18 anos, e foi reprovado até no exame de fezes, esta é a sua oportunidade! Aliste-se no Exército, Marinha ou Aeronáutica. Nas Forças Armadas você aprenderá disciplina, organização e como limpar bunda de cavalo com confete. Você aprenderá a defender nosso país, sendo usado como bucha de canhão enquanto os poderosos bebem scotch, mas torcendo por você. Apenas nas Forças Armadas você terá a oportunidade de viajar de graça: alistando-se até o fim de Outubro, você concorre a uma passagem grátis ao Afeganistão!

Aliste-se! O Tio Sam precisa de você e a gente tem que fazer média, seu mané!


4.10.01

Propaganda que eu adoraria ver, parte II

- Que figura geométrica o senhor está vendo? (mostra-se uma bola)
- Um quadrado.
- E agora? (mostra-se uma bola maior)
- Outro quadrado.
- Huuuuum... o último teste. Errrr... sr. Yërner (entra em cena um marinheiro sueco), o senhor poderia, pelo bem da ciência...
- Redondo, redondo, redondo, redondo... alguém me dê alta!!! Socorro!!!


Sempre Alerta!

Escoteiros: grupo de crianças vestidas de idiota, lideradas por idiota vestido de criança.


Wilmaaaaaaaaaa

Quem nunca viu desenho animado? Até aquele senhor bem vestido e com cara de quem chupou limão-galego já assistiu. Não adianta negar! Toda criança que se preza já passou horas e horas grudada na frente da TV, comendo pipoca, tirando meleca, ou os dois, vendo desenho animado. Era Deus no céu, William Hanna e Joe Barbera na Terra. Todo mundo sabia quando o Pica-Pau ia sacanear o Zeca Urubu; todo mundo sabia que o Coiote nunca ia pegar o Papa-Léguas; todo mundo sabia que o Gasparzinho ia morrer (sic) um fantasminha camarada, mas sem camaradas. Mas todo mundo via.

Quem nunca tomou bronca da mãe por estar muito perto da TV? Ou ouviu um “você vai apanhar se meu sofá ficar manchado de Grapete. Fique comportado”?

Tempos que não voltam. Mas quem tem Cartoon Network mata saudades.


Casseta & Planeta

Falando em Bussunda, o Casseta & Planeta desta semana teve um momento impagável: satirizando o momento em que o novo Presidente do Senado é vaiado e xingado pelos outros senadores. Aquele corinho gritando “você é um gradessíssimo senador” e “senador é a sua mãe” foi do caramba! Esses caras mereciam uma estátua.


Ordem dos Mú$ico$ do Bra$il

Palhaçada pouca é bobagem. Mas palhaçada como a Ordem dos Músicos do Brasil eu ainda tô prá ver. Imagine a cena: você vai a um barzinho numa sexta à noite. Resolve tomar um choppinho com os amigos ou a namorada, ou até mesmo sozinho (a) prá clarear a cabeça. Choppinho, bate-papo, música ao vivo... quem não gosta? Agora imagine essa cena: Você tá lá curtindo tudo isso e de repente, no meio daquela música do Djavan que você tanto gosta, o som é cortado. Blitz da OMB! O cara não era cadastrado, desliga-se o som, multa de lá, multa de cá, o circo foi armado. A alegação: prática ilegal da profissão. Palhaçada pouca é bobagem, não?

Uma pessoa que exerce ilegalmente medicina, odontologia, engenharia, merece multa e prisão: um prédio mal projetado pode desabar, ferir e até matar pessoas, assim como operar sem o devido conhecimento de medicina pode ser fatal para o paciente. Mas música??? Que malefício pode trazer? O cara desafinar no Lá menor e ferir o ouvido apurado da platéia? Parece até coisa de filme! “Meu Deus! Ele tem um violino! Todos para o chão!”. Faça-me o favor...

Para ser músico é preciso apenas prática e estudo, embora a maioria dos músicos brasileiros seja autodidata. Mas uma carteira da OMB custar o mesmo que um CREA, já é demais. Como diria o Bussunda: fala sééééééééééééééério, aí!


2.10.01

Chuteiras penduradas

Primeiro Paul McCartney, agora Eric Clapton pensa em se aposentar. Ok, ambos têm quase 60 anos e já contribuem pro IR a mais de 30 anos. Mas cada um com seu cada um. Se precisarem de mim, estarei bebendo cicuta no boteco mais próximo...


1.10.01

Borboletas

Entre as folhas de um jardim
Voam borboletas dentro de mim
Colorindo a beleza sem fim
Das flores carmim

Entre canteiros e flores
E a Fonte dos Amores
Voam borboletas multicores
Entre as notas dos cantores

Pela tarde primaveril
E o céu, limpo e anil
Borboletas em seu vôo varonil
Enfeitam este recanto gentil

Pela minha emoção
Qual uma noite de verão
Voam borboletas em um tufão
Despertando minha paixão.


Intolerável intolerância

Fronteiras de carne
Divisas de cor e sexo
Religião e Geografia
Brancos
Negros
Amarelos
Nordestinos
Estrangeiros
Judeus
Gays
Pobres
Analfabetos
Orientais
Ocidentais
Metades da mesma maçã
Maculadas pela intolerância.


O Português correto

Pontos, acentos
Vírgulas e tremas
Sintaxe, Morfologia
Figuras de linguagem
Somos a língua
Somos barbarismo
Somos hipérbole
Somos metáfora
Somos paradoxo
E somos erro de concordância
Tão grande que às vezes penso
Que ser humano é uma prosopopéia.